Eduardo Riedel celebra avanços na educação, mas reforça esforço contínuo no setor
Quando entra em uma escola reformada e encontra professores e servidores falando com orgulho do lugar onde trabalham, o governador Eduardo Riedel (Progressistas) percebe ali uma mudança que vai além de paredes recuperadas, equipamentos novos ou salas climatizadas. Para ele, a transformação também aparece na maneira como a própria comunidade passa a olhar para a escola.
“Quando visitamos uma escola reformada e vemos professores e servidores falando dela com orgulho, percebemos que estamos construindo algo forte. Não é mais aquela estrutura deteriorada, com todo mundo de cabeça baixa. Ainda temos desafios, mas muita coisa já foi realizada”, afirmou.
Essa mudança no ambiente escolar ajuda a traduzir uma das prioridades assumidas pelo governador, candidato aprovado em convenção partidária à reeleição. Ao lado das reformas, a gestão ampliou o ensino em tempo integral e a educação profissional, investiu na formação dos professores, fortaleceu a alimentação escolar e aproximou a Secretaria de Estado de Educação das redes municipais.
Em reunião com profissionais da área na terça-feira (11), Riedel afirmou que considera a educação uma das políticas públicas centrais de sua gestão – e ressaltou que os resultados precisam ser observados dentro de um processo que não se encerra em um mandato.
“Se tem uma coisa de que eu me orgulho muito é a educação. Eu a elegi, desde o início, como uma das políticas públicas prioritárias para o Estado, porque acredito nisso. É um trabalho que nunca foi e nunca será de curto prazo. Não existe mudar um processo na educação em um, dois ou três anos”, disse.
Mais tempo na escola e formação para o trabalho
A expansão do ensino em tempo integral é uma das dimensões mais visíveis dessa estratégia. Segundo o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, mais de 60% das escolas estaduais já funcionam nesse modelo.
A mudança amplia o tempo que crianças e adolescentes permanecem na unidade escolar e também aumenta a responsabilidade do poder público sobre aquilo que acontece durante o dia — do ensino à alimentação e às condições oferecidas para que o estudante permaneça na escola.
Outra frente é a educação profissional. Mais da metade dos alunos do ensino médio da rede estadual tem acesso a alguma modalidade de formação profissional. A proposta procura aproximar a trajetória escolar das oportunidades abertas por uma economia estadual em expansão e que demanda trabalhadores qualificados.
Para o secretário, a escola precisa cumprir simultaneamente duas funções: atender às necessidades do estudante no presente e prepará-lo para aquilo que encontrará depois de concluir os estudos.
“A educação é o presente, porque traz os estudantes para dentro da escola, oferece alimentação e cuidado. Mas também é o futuro. Isso mostra que tudo que o governador implantou como política pública da educação deu resultado melhorando a educação das nossas crianças e adolescentes. Um Estado que cresce precisa de mão de obra qualificada, e nossa responsabilidade é garantir uma educação de qualidade para que os estudantes possam ocupar as oportunidades que estão surgindo”, afirmou Daher.
Mato Grosso do Sul vem alcançando suas melhores marcas históricas em proficiência e aprovação, além de reduzir o abandono escolar. Os indicadores são resultado de um conjunto de políticas que envolve infraestrutura, formação de profissionais, acompanhamento da gestão escolar e ampliação das modalidades de ensino.
Reforma deixa de ser apenas obra física
Nas escolas, essa política também ganha forma em mudanças bastante concretas. Em média, uma unidade da rede estadual é reformada a cada seis dias. Além das intervenções nos prédios, as escolas têm recebido equipamentos como lousas, aparelhos de ar-condicionado, televisores e recursos destinados aos laboratórios.
Para quem trabalha diariamente dentro da rede, a infraestrutura não pode ser separada da qualidade do ensino.
O coordenador de Gestão Escolar, Adalberto Nascimento, explica que melhores condições físicas interferem tanto no cotidiano dos profissionais quanto no atendimento oferecido aos estudantes.
“Quando você tem uma infraestrutura melhor, oferece melhores condições de trabalho, de atendimento e de ensino. Tivemos uma melhora significativa nos indicadores escolares justamente por causa da valorização da estrutura física, da formação dos professores e do trabalho com diretores e coordenadores”, afirmou.
É nesse ponto que a imagem descrita por Riedel — a de professores e servidores demonstrando orgulho pela escola reformada – se conecta a uma política mais ampla. A recuperação do prédio é apenas uma parte de um processo que também depende de formação, gestão e acompanhamento pedagógico.
O próprio governador reconhece que os avanços não significam que todos os problemas estejam resolvidos. “Ainda temos desafios, mas muita coisa foi realizada”, ressaltou.
Estado busca aproximar educação das realidades locais
Outra mudança ocorreu na relação entre a Secretaria de Estado de Educação e os municípios. As Coordenadorias Regionais de Educação foram fortalecidas para ampliar o acompanhamento das redes, oferecer formação aos profissionais e apoiar diretores e secretários municipais.
Para Carolina Pereira Cavalcante de Castro, coordenadora regional de Educação, essa aproximação é importante porque as necessidades não são iguais em todas as regiões de Mato Grosso do Sul.
“Nosso trabalho é aproximar a Secretaria dos municípios, respeitando a identidade e a realidade de cada região. As coordenadorias foram fortalecidas nesta gestão, com formações, acompanhamento dos diretores e apoio aos secretários municipais de Educação”, explicou.
A articulação inclui iniciativas como o MS Alfabetiza e o ICMS Educação, além das ações desenvolvidas dentro do programa MS Ativo, permitindo que os investimentos sejam relacionados às necessidades de cada município.
Carolina observa essa política a partir de duas posições que se encontram no cotidiano: é educadora e também mãe. Para ela, o efeito de uma escola mais forte ultrapassa os limites da sala de aula.
“Quando fortalecemos a educação, nosso jovem se torna mais crítico, aprende mais e sabe escolher melhor os seus governantes. A sociedade é diretamente impactada com a melhoria da educação. Tenho orgulho de fazer parte dessa equipe e de acreditar na educação proposta pelo nosso governador”, afirmou.
Escola de tempo integral também significa mais refeições
Quanto mais tempo o aluno permanece na escola, maior também é a importância de políticas que muitas vezes aparecem menos no debate sobre aprendizagem. Uma delas é a alimentação.
Com a expansão do ensino em tempo integral, muitos estudantes passaram a fazer até três refeições por dia dentro da própria unidade escolar. Para cerca de 20 mil alunos que utilizam o transporte escolar rural, há ainda uma refeição adicional na chegada à escola, independentemente do turno ou do nível de ensino.
A política de alimentação também procura fazer com que parte do dinheiro movimentado pelas escolas permaneça nas próprias regiões. Os recursos são repassados às unidades, que planejam os cardápios e fazem as compras com participação da comunidade escolar, priorizando a agricultura familiar.
Embora o percentual mínimo destinado à aquisição desses produtos seja de 45%, no ano passado 64% dos recursos foram utilizados na compra de alimentos da agricultura familiar.
“A descentralização ajuda a economia local, gera empregos e valoriza os alimentos produzidos na região. Também permite respeitar os hábitos alimentares e a cultura de cada localidade”, explicou Adriana.
Assim, uma política que começa no prato do estudante também alcança produtores e economias locais, ao mesmo tempo em que busca adaptar a alimentação escolar às características de cada região.
Avanços não encerram o desafio
Ao reunir profissionais da educação, Riedel procurou dividir o crédito pelos resultados com quem atua diretamente na rede – secretários, diretores, coordenadores, professores, servidores e comunidades escolares.
“Esse legado não é de uma única pessoa. É de todos que, em algum momento, abraçaram uma área e acreditaram em uma proposta. Nós conquistamos muita coisa, mas a educação é um processo contínuo: quando uma etapa é concluída, há outras dez pela frente. O que realmente importa é o resultado dos nossos alunos”, afirmou.
A continuidade dessas políticas, segundo o governador, precisa ocorrer sem comprometer as contas públicas. Riedel relacionou a capacidade de investir na educação à manutenção do equilíbrio fiscal do Estado.
“Jamais vamos comprometer o equilíbrio do Estado. Essa é uma premissa inegociável, porque é o equilíbrio fiscal que determina a qualidade das políticas públicas na educação, na saúde, na segurança e em todas as áreas”, declarou.
Além dos desafios já conhecidos – manter escolas, qualificar profissionais, reduzir o abandono e melhorar a aprendizagem -, o governador aponta uma nova frente que começa a se impor sobre a educação: adaptar a escola às mudanças provocadas pela digitalização, pelas novas formas de comunicação e pela inteligência artificial.
“A educação tem o desafio gigantesco de acompanhar as mudanças da sociedade, das famílias, da comunicação e das ferramentas digitais. Nossa obrigação é lapidar tudo isso e formar cidadãos. Esse é o grande desafio”, concluiu.
No fim, é justamente a escola descrita por Riedel no início desse processo que ajuda a dimensionar o que está em jogo. Um prédio reformado pode mudar as condições de trabalho e aprendizagem; mais horas na escola exigem alimentação e estrutura; a formação profissional pode aproximar o jovem das oportunidades abertas pelo Estado. Mas, como o próprio governador reconhece, nenhuma dessas etapas encerra o trabalho. Na educação, cada escola recuperada e cada indicador melhorado abrem uma nova exigência: garantir que a transformação alcance, de fato, a trajetória dos estudantes.








